Aviação para quem pode

24 06 2008

EMBRAER Legacy 600SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SP - O blog Livre Decolagem visitou no último fim de semana a Expo Aero Brasil 2008, realizada pela primeira vez no centro da indústria aeronáutica brasileira, a cidade de São José dos Campos, a 91 km de São Paulo. 

A feira, que começou em 1997 e não aconteceu em 2007, sofreu várias mudanças nesta que foi sua 11ª edição. Conferimos apenas o terceiro dos quatro dias de evento, o sábado, e ficou claro que o alvo dos organizadores da EAB a partir de agora é o público com alto poder de compra. Os amantes da aviação sem alguns milhões de reais no bolso, porém, chiaram. 

A feira, que se intitula a maior do setor de aviação civil da América Latina e uma das dez maiores do mundo, já ocorreu em Sorocaba-SP e Araras-SP. Os preços de entrada variavam na casa dos dez reais. Desta vez, o ingresso subiu para 50 reais por dia. O estacionamento, 30 reais. E a idéia de atrair quem pode comprar se refletiu em mais aviões no pátio do que no céu.

Ponto positivo: com mais grana rolando no setor, mais aviões, economia aquecida, lógico. Participaram da feira empresas de combustíveis, peças, treinamentos, engenharia, motores, manutenção e até de pneus.  A proposta de incentivar a venda de aeronaves deve garantir bons lucros nos próximos meses aos cerca de 180 expositores.

Ponto negativo: aviação também é feita de paixão, de gente fascinada por ver máquinas voando. E a feira perdeu nisso: faltou barulho de motor. Um exemplo: prometeram a Esquadrilha Oi de acrobacia dias antes da abertura, mas não foi bem isso o que aconteceu. O que salvou foi a Esquadrilha da Fumaça no domingo. À exceção da Trip e seu ATR-72 com nova pintura, as empresas aéreas também não fizeram questão de marcar presença.

Cessna Stationair e Danilo Zanata aviônicos Garmin G1000 (Cessna Stationair)

 

Mas, vamos parar de reclamar. Visitar o CTA e avistar ao longe os hangares da EMBRAER, o terceiro maior fabricante de aviões do mundo, é de encher os olhos. Já dentro do pátio da feira, vários aviões experimentais. Livre Decolagem destaca o modelo P4, da Paradise, empresa com sede na Bahia. O monomotor tem concepção de cabine e design de painel bastante diferente dos concorrentes. Você vai conferir um pouco mais sobre ele nos próximos posts.

A TAM Jatos Executivos, representante da Cessna no Brasil, reservou bom espaço para dois clássicos: Grand Caravan e Stationair, ambos equipados com aviônicos Garmin G1000, que vamos detalhar mais para a frente também. Esteve lá ainda o Cessna 400, antigo Columbia, o monomotor a pistão mais rápido do mundo.

Imponentes, um modelo Legacy 600 e um 195, dois dos mais bem sucedidos jatos da EMBRAER, dividiam o espaço reservado para a empresa. O primeiro, conhecido do grande público, tinha bandeira e prefixos alemães. O segundo, que estava com pintura de fábrica, será o principal modelo da nova empresa aérea brasileira, a Azul, de David Neeleman. Um outro E-jet, o 190, com pintura da US Airways também fez duas rápidas demonstrações. Sem passagens baixas sobre a pista, no entanto.

CASA C-105A (FAB)Na área de aviação militar, o sábado não foi muito movimentado. Os caças F-5, AMX e SuperTucano da FAB que estavam no pátio não decolaram. Assim como um CASA C-105A, avião de carga da Força Aérea Brasileira. Entre os helicópteros, um Sikorsky/Agusta S-61 da Marinha, utilizado contra submarinos.

Quem esperava rasantes e rastros de fumaça no céu acabou decepcionado. Quem pretendia fazer negócio teve boas oportunidades. O público total registrado pelos organizadores da Expo Aero Brasil 2008, contudo, foi bem abaixo dos anos anteriores: dez mil pessoas. Em 2006, foram mais de 76 mil visitantes, enquanto em 2005 a EAB recebeu quase 90 mil fãs de aviação. Para 2009, a previsão é de que a feira continue em São José, mas que ocorra no mês de julho.

Glossário:

aviônicos - são os equipamentos eletrônicos a bordo de um avião; dispositivos que ajudam a pilotar ou navegar uma aeronave.

E-jets - jatos fabricados pela EMBRAER a partir de 1999 com capacidade entre 70 e 122 passageiros. Os modelos são o 170, o 175, o 190 e o 195.
  



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8 respostas

24 06 2008
Arantes

Mas será que eu serei o primeiro a comentar? Que beleza.
Já começou bem!

Parabéns pela iniciativa e vamos juntos nessa viagem.
Forteabráço!
TA

24 06 2008
Carol Monterisi

Cada vez mais perto da Aviation International. Ou International Aviation.

27 06 2008
Maycon

Grande reportagem!! Como q foi por la?? sucesso absoluto né? e a viagem? haha fico imaginando esses dois juntos kkk abração

29 06 2008
Danilo Hadek

Loco esse blog, hein?!

Aviação – pra quem pode!!! :) )

Blog Meio Aéreo

2 07 2008
Leonardo Cheffer

A questão não é nem o que o público gostou ou deixou de gostar, ou o poder aquisitivo.

Simplesmente foi vendida uma programação que não foi entregue. Agora, na página da feira, simplesmente aparece “em manutenção”.

Eu fiz compras na feira sim. Rádio, camisetas, bonés, pins e etc. Modestas, mas fiz. Como eu, muitas pessoas se deslocaram de suas cidades (e gastaram bem) para chegarem à SJC, na certeza de assistir a um show aéreo, que simplesmente não existiu. O porquê não importa.

O mais revoltante foi saber do último dia de feira estar de portões abertos, sendo que foram vendidos via site e recepção da feira ingressos para os 4 dias, inclusive o último, o dia em questão. Motivo? A EDA (Esquadrilha da Fumaça) faz apenas apresentações públicas e a entrada pra presença dos mesmos, no caso de uma feira tem que ser franca.

De improviso abriram os portões.

Ou seja, muita gente foi lesada em 50 reais. Irão ver esse dinheiro novamente? Duvido.

Bom, fica aqui o meu manifesto, indignação. Posso não ser o público alvo, ou o milionário que vai lá para comprar ultraleves, porém, como disse um amigo presente na feira, ainda sou amante da aviação, amante da cultura aeronáutica que foi para ver um show que me foi vendido, gastei para ir e simplesmente não me foi entregue.

No dia que me tornar milionário, ainda assim terei receios em ir às feiras organizadas por esta equipe, que simplesmente vendeu, não entregou o show e ainda, na minha visão, acabou por lesar pessoas, mesmo que sem intenção, ou não né…

Desculpem por ser tão incisivo.

Meus respeitos,
Leonardo Cheffer

2 07 2008
Oliveira

Estive em algumas das versões anteriores, agora com as suas palavras me ocorreu o seguinte:

Se a feira se tornou tão elitizada, a ponto de tornar quase implaticável a reles mortais desprovidos, por que a esquadrilha da fumaça (que é paga com nosso dinheiro público) se dispôe a faze-la?
Desculpem a ignorância mas os organizadores pagam cachê?

Abraços.

3 07 2008
Deleo

Li em uma reportagem, se não me engano da revista Isto é, que a Esquadrilha da Fumaça não cobra cache para se apresentar. Acho que deviam, entretanto, “filtrar” melhor onde se apresentam.

8 07 2008
Ronaldo

Vale enfatizar um outro ponto supernegativo da feira. Com toda essa “elitização”, haviam apenas banheiros químicos, muito sujos e malcheirosos. Segundo informações femininas, o delas então, sem possibilidade de utilização decente…

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