Ganha destaque na imprensa não especializada do Brasil e do exterior a tese de que ocorreu um problema no sensoramento da velocidade e outras medições feitas pelos tubos de Pitot do Airbus A330 da Air France, que sumiu durante vôo entre o Rio e Paris.
O tubos teriam se congelado durante a tempestade enfrentada pela aeronave, provocando incoerências nas informações passadas aos pilotos, o que teria contribuído para o acidente.
A dúvida aqui é que, em tese, essa possibilidade pouca coisa tem a ver com o tão falado exagero na automação dos aviões da fabricante de Toulouse.
O tubo de Pitot não precisa, digamos, do Windows para funcionar. Se trata de um mecanismo que mede a velocidade dos fluidos basicamente pela diferença entre pressões. E leva o nome de Henri Pitot, engenheiro que viveu lá nos idos de 1700.
Ao que parece, se um tubo de Pitot de um Airbus congelar e ficar obstruído, as informações chegam erradas ao pilto. Na teoria, em um Boeing, o problema seria o mesmo, independente do nível de automação.
Vejamos o caso do Aeroperu 603, retratado em narrativa perfeita do JetSite. O jato não teve congelamento dos Pitots, mas obstrução por fita adesiva durante a manutenção. O Boeing 757 decolou para um vôo cego justamente porque os pilotos não tinham como receber os dados certos de altitude e velocidade. Resultado: o avião mergulhou no Oceano Pacífico.