Lobby da cor do céu

7 03 2009

Este blog não pretende fazer nenhum juízo de valor ou julgamento da atuação da Azul Linhas Aéreas nos bastidores da aviação brasileira. A empresa age, dentro da legalidade, do jeito que quiser. Contudo, a mais nova companhia aérea do País tem sido beneficiada nos últimos tempos por decisões e propostas da Agência Nacional de Aviação Civil.

Vejamos a Resolução 59, publicada pela ANAC no dia 5 de novembro do ano passado. A medida estabeleceu que o número de comissários de bordos passaria a ser correspondente ao número de saídas de emergência e ao nível do piso da aeronave, para permitir que, em caso de emergência, os passageiros escapassem com mais rapidez. Fato é: a norma diminuiu o número de comissários em alguns modelos, entre eles, o EMB 190, operado no País unicamente pela Azul. Menos comissários, menos gastos.

Outro ponto curioso, e que comentamos no post anterior, foi a consulta pública aberta pela ANAC para alterar a seção 121.545 do Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA). A proposta era permitir que um piloto militar assumisse o lugar de co-piloto de um avião civil. Devido às críticas dos aeronautas, ou não, a agência suspendeu a consulta. Porém, a idéia era permitir que pilotos militares treinassem em aviões da Embraer, como os operados pela Azul, para depois pilotar os novos Sucatinhas do governo.

O fato mais recente, claro, foi a liberação de vôos a partir do aeroporto Santos Dumont. A Azul brigava desde sempre pela liberação das operações no aeroporto do Rio de Janeiro e agora conseguiu (e abriu uma polêmica com o governador Sérgio Cabral). Em fevereiro, o próprio presidente da companhia, Pedro Janot, afirmava que o objetivo era ter o controle do aeroporto nas mãos. E assim vai.





Polêmica: Civis x Militares

14 02 2009

Tem causado polêmica uma consulta pública aberta pela Agência Nacional de Aviação Civil. A ANAC quer opiniões sobre uma nova redação a ser dada à seção 121.545 do Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA).

À tal seção, que trata dos requisitos para se operar uma aeronave, seria acrescentado um páragrafo que, em tese, permitiria a um piloto militar assumir o lado direito da cabine de qualquer avião civil, no lugar do co-piloto.

A crítica do Sindicato dos Aeronautas, de entidades representativas de tripulantes, pilotos, etc, é a de que a alteração daria abertura para as empresas contratarem pilotos da Aeronáutica sem arcar com gastos, já que eles são remunerados pela Força Aérea Brasileira.

O blog Livre Decolagem conversou com o diretor de relações Institucionais da Azul Linhas Aéreas, Adalberto Febeliano, que tentou esclarecer o assunto.

“O governo adquiriu, recentemente, aviões Embraer 190 para substituir os Sucatinhas do presidente (737-200) e, agora, é preciso treinar pilotos para operá-los. E eles não podem voar fora daqui. E quem é a única empresa que opera este tipo de jato no Brasil?”. Claro, a Azul, caro leitor.

Ou seja, caso a mudança no RBHA seja realmente feita, pilotos militares apreenderão a pilotar os jatos substituindo, por algum tempo, os co-pilotos. De acordo com Febeliano, após o treinamento, estes militares dariam instrução para outros militares, já nos novos Sucatinhas.

Confira aqui, o link para o site da ANAC.